quinta-feira, 3 de setembro de 2009

1918: direção de tratamento em psicanalise, algumas transcrições.


Freud traça um raciocínio acerca da direção de tratamento psicanalítico no tocante a manutenção de uma privação no paciente de forma o tratamento seja bem sucedido.
“Lembrar-se-ão os senhores de que foi uma frustração que tornou o paciente doente, e que seus sintomas servem-lhe de satisfações substitutivas. (...) Cruel como possa parecer, devemos cuidar para que o sofrimento do paciente, (...) não acabe prematuramente. Se devido ao fato de que os sintomas foram afastados e perderam o seu valor, seu sofrimento se atenua, devemos restabelecê-lo alhures, sob a forma de alguma privação apreciável; de outro modo, corremos o perigo de jamais conseguir senão melhoras insignificantes e transitórias”. (Freud, S. 1918).
Tecendo uma critica a Escola Suíça, Freud (1918), vai colocar que tentar fazer do paciente uma cópia do médico é um erro grosseiro e que a Psicanálise não coaduna com tal postura. O paciente não deve ser uma copia dos ideais do médico, mas sim ser livre neste aspecto para possuir seus próprios ideais e filosofias de vida.
“(...) um tipo bastante diferente de atividade torna-se necessário pela apreciação gradativamente crescente de que as várias formas de doenças tratadas por nós não podem ser manipuladas mediante a mesma técnica”.
Daí segue o exemplo dos novos tipos de sintomas: os atos obsessivos e a agorafobia.
Existem dois tipos de agorafobia citados por Freud: o caso brando e o caso grave. “Os pacientes que pertencem ao primeiro tipo sofrem de ansiedade quando vão sozinhos à rua, mas não desistiram ainda de sair desacompanhados por causa disso; os outros protegem-se da ansiedade deixando completamente de sair sozinhos. Com estes últimos, só se obtém êxito quando se consegue induzi-los, por influencia da analise, a comportarem-se como os pacientes fóbicos do primeiro tipo (...). Começa-se, portanto, por moderar a fobia; e apenas quando isso foi conseguido por exigência do médico é que permitem resolver a fobia”.
Com relação aos atos obsessivos graves “uma atitude de espera passiva parece ainda menos indicada. Na verdade, de um modo geral esses casos tendem a um processo ‘assintótico’ de recuperação, a um protraimento interminável do tratamento. (...) Julgo existirem poucas dúvidas de que a técnica correta, aqui, só pode consistir em esperar até que o tratamento em si se torne uma compulsão, e então, com essa contracompulsão, suprimir forçosamente a compulsão da doença”.  
Fica a questão da direção de tratamento em psicanálise, que neste texto de 1918, As Linhas de Progresso..., se torna tão contundente. Esta forma de tratamento não se coaduna a certas espctativas do Estado Alemão, da época, em ter seus "neuróticos de guerra" prontos para outra, falando de forma bem simples. Não se pode devolver para o Estado de maneira tão simples e direta alguém que foi destruido por um experiencia tão catrastrófica quanto a Grande Guerra.
Freud neste texto não se preocupa só com os ditos "novos sintomas" de época como as fobias e as neuroses obsessivas, ele para além de salientar o problema de saúde pública que elas convocam, Freud, ressalta sua preocupação para com "os pobres" e uma certa miséria neurótica. Há de se tomar em conta a necessidade de instituições de carater gratuito para atender esta camada da população que também adoece e de forma crescente. Isto ele aponta em 1918! E ainda, mesmo que sejam necessarias mudanças nas tecnicas aplicadas esta pratica será psicanalise desde que seus "elementos" sejam "aqueles tomados à psicanalise estrita e não tendenciosa".
                                                                                                                                          Carlos Emmanuel

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