quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Transcrições de textos freudianos que se reportam ao uso de substâncias psicoativas.

Três transcrições importantes:

1)Carta 55 a Fliess
“O que determina o surgimento de uma psicose (...) é o fato de o abuso sexual ocorrer antes do fim do primeiro estádio intelectual (...). Foi assim que cheguei a essa outra visão. Um de meus pacientes histéricos... levou sua irmã mais velha a uma psicose histérica, que terminou num estado de completa confusão. Agora averigüei qual foi o sedutor dele, um homem de grande capacidade intelectual que, no entanto, tinha tido ataques da mais grave dipsomania a partir dos seus cinqüenta anos. Esses ataques começavam regularmente ou com diarréia ou com catarro e rouquidão (o sistema sexual oral!) – isto é, com a reprodução de suas experiências passivas. (...) A dipsomania surgiu através da intensificação – ou melhor, através da substituição de um determinado impulso pelo impulso sexual correlato. (Provavelmente o mesmo se aplica à mania de jogatina do velho F.)”. (Freud, S. 11 de janeiro de 1897).

2)Carta 79 a Fliess
“Comecei a compreender que a masturbação é o grande hábito, o ‘vício primário’, e que é somente como sucedâneo e substituto dela que outros vícios – álcool, morfina, tabaco, etc. – adquirem existência”. (Freud, S. 22 de dezembro de 1897).

3)A Sexualidade na Etiologia das Neuroses
“Quebrar no paciente o hábito da masturbação é apenas uma das novas tarefas terapêuticas impostas ao medico que leva em conta a etiologia sexual dessa neurose; e parece que precisamente essa tarefa, como a cura de qualquer outro vício, pode ser efetuada em uma instituição sob supervisão médica. (...) a necessidade sexual, uma vez que tenha sido despertada e satisfeita por um longo período, não pode mais ser silenciada; pode apenas ser deslocada por outro caminho. Aliás, o mesmo se aplica a todos os tratamentos para quebrar um vício. Seu sucesso será apenas aparente, na medida em que o médico se contentar em privar seus pacientes da substância narcótica, sem se importar com a fonte da qual brotava sua necessidade imperativa. O ‘habito’ é um mero arranjo de palavras, sem nenhum valor explicativo. Nem todos que têm oportunidade de tomar morfina, cocaína, hidrato de cloral, e assim por diante, por algum tempo, adquirem dessa forma ‘um vício’. Uma pesquisa mais minuciosa mostra usualmente que esses narcóticos pretendem servir – direta ou indiretamente – como substitutivo para uma falta de satisfação sexual (...)”. (Freud, S. 1898).

Carlos Emmanuel.

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